O Mato Grosso do Sul tem até cavernas ?  Foi anunciado que sim, como que as mesmas passarão ou terão um expedição internacional que vai explorar os locais, que são desconhecidos de MS, até mesmo na teoria, por pelo menos 99,9% dos sul-matogrossense, ou mesmo mundial. Assim, uma equipe de pesquisadores do Brasil, Alemanha, Rússia e Portugal iniciou, nesta semana, uma expedição inédita para pesquisar cavernas inexploradas no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, no oeste do Estado. O grupo foi formado com 10 pessoas, que saiu de Campo Grande para o município de Bonito, a 257 km da Capital, para buscar descobrir e assim até oficializar cerca de 500 cavernas em território regional.

A expedição se iniciou ou partiu nesta segunda-feira (6), onde no parque nacional, realizará a pesquisa das cavidades naturais subterrâneas até o próximo dia 28. Serão 22 dias que grupo passará acampados no parque, num trabalho completamente voluntário. Os membros são do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), um espeleólogo russo, outro português e três alemães, sendo um deles vice-presidente da Federação Européia de Espeleologia. A expedição, além de ‘descobrir’ o MS, visa ainda alavancar o conhecimento na área, por meio do intercâmbio de experiência entre pesquisadores de todo o mundo, além de estimular a formação de novos espeleólogos.

A pesquisadora campo-grandense, Lívia Medeiros Cordeiro, 34, especialista em fauna de caverna e vice-presidente da SBE (Sociedade Brasileira de Espeleologia), foi quem idealizou o Projeto de uma ‘Expedição Internacional da Serra da Bodoquena 2017’, que segundo ela surgiu por uma “inquietude” de ver o que havia ou pode haver, bem próximo de nós. “Ao longo dessa minha caminhada, realizando um trabalho focado na bioespeleologia, tenho percebido com preocupação a rápida mudança da paisagem na natureza de Mato Grosso do Sul. Por isso, pretendo pesquisar a existência de cavernas nessas áreas”, explica a pesquisadora da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).


Lívia, ao centro, e outros pesquisadores reunidos (Foto: Divulgação/Projeto Potiicoara)

“Só é possível conservar uma caverna a partir do momento de que há provas documentadas de sua existência. Esse trabalho busca definir a identidade, o “RG” das cavidades, fazermos um histórico em mapeamento”, completa Livia.

MAPA

O mapeamento tem a intenção de traçar dados como coordenadas, extensão, profundidade e a distância que é possível caminhar dentro das cavernas . Nessa primeira expedição, não serão exploradas áreas subaquáticas do parque. O objetivo é realizar esse tipo de trabalho todos os anos, para descobrir a cada vez novas cavernas.

“No Estado, estima-se que existam muitas cavernas desconhecidas, seja pelo difícil acesso, seja pela limitação técnica, pois não são muitas as pessoas com formação adequada para fazer esse tipo de exploração com segurança”, explica.

A pesquisadora conta que a atividade é muito restrita no Brasil pois, além de conhecimento sobre cavernas, é preciso ter experiência em atividades como rapel, escalada e mergulho. Hoje, 90% do conhecimento que se tem sobre cavernas no mundo vem de espeleólogos esportistas, ou seja, técnicos que já praticam atividades como escalada e surf e se especializaram em explorar cavernas, pelo amor ao esporte de aventura e seus desafios.
Exploração em caverna realizada pelos pesquisadores do projeto Potiicoara. (Foto: Divulgação?Projeto Potiicoara)

Cerca de 500 Cavernas em MS  ??

Dados divulgados, já mostram que estão cadastradas na SBE, atualmente, 112 cavernas na Serra da Bodoquena. Mas, informalmente, estima-se que esse número ultrapasse as 300 cavidades, pelo Parque Nacional da Serra da Bodoquena, que possui 76,4 mil hectares. O PNSB tem muitas montanhas de rochas calcárias, campos alagados e cerrados. Contempla os municípios de Bonito, Jardim e Bodoquena.

A expedição é um desdobramento do projeto desenvolvido desde 2015 por Lívia, que é bióloga, mestre em ecologia de conservação e doutora em zoologia. A iniciativa é financiada pela Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul).

Trata-se de um estudo sobre animais de cavernas, como o camarão Potiicoara, uma espécie rara, encontrada na Gruta do Lago Azul.

“Acreditávamos que encontraríamos essa espécie somente ali, mas há relatos dela em cavernas no Mato Grosso. Essa expedição vai contribuir também para esse estudo em particular, para descobrir a conexão subterrânea dessas cavidades. Os resultados podem trazer à tona muitas informações sobre a história da rica fauna brasileira, que pode ainda ter muitos mistérios e espécies cientificamente desconhecidas”, acredita.

 

O post Pesquisadores de MS-Brasil e três países irão explorar cavernas desconhecidas de MS apareceu primeiro em PaginaBrazil.Com.