BNDES teria feito três operações com o Grupo São Fernando - Foto: Gabriela Bilo-Estadão

O MPF (Ministério Público Federal), no Distrito Federal investiga em conjunto com a força-tarefa da Operação Lava Jato, se o pecuarista sul-mato-grossense José Carlos Bumlai foi beneficiado em empréstimos concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), entre 2008 e 2012.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o Grupo São Fernando, de usinas de álcool com instalações em Dourados, recebeu mais de R$ 500 milhões em três operações com o banco nos governos Lula e Dilma Rousseff. As participações do BTG Pactual, do falido BVA e do Grupo Bertin também estão sob suspeita.

A principal frente de investigação concentra-se na concessão de R$ 101,5 milhões em 2012. O valor foi contratado em nome da São Fernando Energia 1 – unidade do grupo que geraria energia com o bagaço da cana-de-açúcar –, no plano de reestruturação financeira do Grupo São Fernando.

A operação foi feita de forma indireta, via bancos BTG Pactual e Banco do Brasil, que assumiram os riscos como agentes financeiros do repasse. O foco do Ministério Público nas operações do BNDES envolvem empreiteiras acusadas de cartel na Petrobras e outros investigados pela Lava Jato.

Bumlai fez seis pedidos de empréstimos ao banco – três deles concedidos. Os dois primeiros foram para a construção da usina São Fernando Açúcar e Álcool, em Dourados, em 12 de dezembro de 2008 e em 3 de fevereiro de 2009, no valor total de 395,1 milhões de reais, segundo um documento enviado em dezembro de 2015 pelo banco ao Ministério Público Federal.

A obra foi concluída em 2009 e entrou em operação em 2010. Dos valores devidos por esses dois primeiros empréstimos, o BNDES informou que o Grupo São Fernando teria pago até hoje 252 milhões de reais.

Em 2011, quando os negócios de Bumlai já apresentavam problemas financeiros, foram “iniciadas as tratativas para reestruturação do Grupo São Fernando”. Na ocasião, o saldo devedor dos dois primeiros empréstimos era de 362 milhões de reais. Em junho do ano seguinte, o BNDES assinou o último empréstimo, em nome da São Fernando Energia 1 Ltda, no valor de 101,5 milhões de reais na modalidade empréstimo indireto, em que o BTG Pactual e o Banco do Brasil foram intermediários como agentes financeiros – assumindo o risco do negócio.

Em nota enviada ao jornal O Estado de S. Paulo, o BTG e Banco do Brasil afirmam que “realizaram análise econômico-financeiras e cadastrais da empresa e declararam que após o processo de reestruturação financeira, a São Fernando Energia I, teria situação cadastral satisfatória e adequada capacidade de pagamentos de suas obrigações e não se vislumbrava nenhum óbice para a concessão de financiamento da referia”.

O BNDES sustenta ainda que a “motivação” do banco para realizar as operações de repasse foi “o caso bem-sucedido [da implantação da usina financiada em 2008], o plano de reestruturação viabilizaria a manutenção de empregos e de atividade operacional de empresa em setor relevante da economia, tendo como consequência a melhora da capacidade de pagamento e a redução do riso de crédito do Banco”.